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OPINIÃO - Philippe Perrenoud* Impressão Pedagógica

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As práticas pedagógicas mudam e de que maneira?
É difícil responder a essa questão de maneira generalizada, porque, em nenhum momento, as práticas pedagógicas são unificadas. Coexistem no mesmo sistema, na mesma disciplina, algumas vezes no mesmo estabelecimento de ensino, práticas extremamente diversas, algumas avançam sobre o tempo (na média) e outras são dignas de museu. Somente podemos comparar as freqüên-
cias, as distribuições.

Somente uma pesquisa empírica longitudinal poderia fundamentar as afirmações incontestáveis. Isso exigiria dispositivos de pesquisa muito pesados, permitindo-se seguir a evolução das décadas. O estabelecimento de observatórios de práticas permitirá, talvez no futuro, objetivar as mudanças. De imediato, só podemos avançar nas hipóteses fundamentadas sobre escassas investigações e observações qualitativas.

1. As práticas pedagógicas são fundamentadas sobre objetivos de nível "taxoeconômico" cada vez mais elevados (por exemplo, aprender a aprender, a raciocinar, a comunicar).

2. Elas (as práticas) têm cada vez mais freqüentemente a tarefa de construir as competências, de se estar ansioso por conhecimento.

3. Elas recorrem das vantagens dos métodos ativos e dos princípios da nova escola, as pedagogias fundamentadas sobre o projeto, o contrato, a cooperação.

4. Elas exigem uma disciplina menos rígida, deixando a vantagem da liberdade aos alunos.

5. Elas manifestam um grande respeito ao aluno, à sua lógica, ao seu ritmo, às suas necessidades, aos seus direitos.

6. Elas se prendem mais à vantagem de desenvolver a pessoa, menos à sua adaptação à sociedade.

7. Elas se concentram na vantagem do aprendiz e do ensino conceituado e acima de tudo na organização de situações de aprendizado.

8. Elas são mais sensíveis à pluralidade das culturas, são menos etnocêntricas.

9. Elas aceitam cada vez menos as falhas escolares como uma fatalidade e evoluem no sentido da diferenciação do ensino como discriminação positiva.

10. Elas tendem a explodir o grupo de classe estável como única estrutura de trabalho e compõem grupos de necessidade, de projeto, de nível.

11. Elas estão cada vez mais conectadas com outros interventores e uma equipe pedagógica, inscritas em uma cooperação.

12. Elas são cada vez mais enquadradas de acordo com o estabelecimento.

13. Elas vão através de uma planificação didática mais flexível e negociável.

14. Elas dão lugar às tarefas abertas e às situações-problema.

15. Elas vão no sentido de uma avaliação menos normativa, mais formativa.

16. Elas se articulam mais facilmente como as práticas educativas dos pais, em favor de um diálogo mais equilibrado.

17. Elas tornam-se mais dependentes das tecnologias audiovisuais e informatizadas.

18. Elas dão lugar à manipulação de conteúdos, à observação e à experimentação.

19. Elas tendem a tornar-se reflexivas, sujeitas a uma avaliação periódica.

20. Elas tendem a usar mais largamente a pesquisa.

21. Elas mudam mais rápido, a inovação se banaliza.

22. Elas são socialmente menos valorizadas.

23. Elas são a favor da profissio-nalização, se baseiam sobre as competências adquiridas na formação inicial e contínua.

Essas tendências correspondem em parte aos modelos ideais de militantes ou de pesquisadores em educação. Elas atestariam, se fossem confirmadas, um certo sucesso das idéias reformadoras. Elas refletem, por um outro lado, a evolução das famílias e das relações entre jovens e adultos na nossa sociedade.

Bem entendido, não são mais que tendências. A profissionalização da função de professor – no sentido norte- americano – está longe de ser acabada e os sistemas escolares estão ainda povoados de excelentes professores de 30 anos atrás (segundo a afirmação de um responsável sindical), assim como as práticas reflexivas se ressentem de
ferramentas e diretrizes elementares.

 * Philippe Perrenoud, sociólogo, nascido em 1944. Doutor em sociologia e antropologia, é professor na Universidade de Genebra, no campo de currículo, práticas pedagógicas e de instituições de formação. Seus trabalhos sobre a fabricação das desigualdades e as falhas escolares conduziram-no a se interessar na função do aluno, nas práticas pedagógicas, no currículo, no funcionamento dos estabelecimentos escolares, nas transformações na profissão de professor, na formação de professores, nas políticas de educação e formação.

Com Mircille Cifali, ele coordenou a colocação da nova formação de educadores primários em Genebra, na cadeira da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação.

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